Publicado em 16/07/2026
A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF) realizou, nesta quinta-feira (16/7), em Belo Horizonte, uma oficina prática do Programa Alcance, voltada à capacitação de servidores para a produção de documentos digitais acessíveis.
Conduzida em parceria com a Unidade Avançada de Inovação em Laboratório (UAILab) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e o Laboratório de Inovação coLABore, do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT3), a iniciativa busca garantir que a comunicação institucional do Judiciário seja compreendida por todos, incluindo pessoas com deficiência visual.
A oficina reuniu servidores e colaboradores da EJEF, da Diretoria Executiva de Comunicação (DIRCOM) e dos laboratórios de inovação para colocar em prática as diretrizes de acessibilidade digital. A atividade integra a fase de validação do Programa Alcance, que já conta com um curso teórico online de 30 horas.

A demanda pelo programa surgiu da constatação de que a adoção da Linguagem Simples e do Direito Visual, embora benéfica, não garantia, por si só, a acessibilidade.
“Tornávamos os documentos lindos e maravilhosos, com linguagem simples, mas eles não eram acessíveis às pessoas com deficiência, especialmente às pessoas com deficiência visual”, explicou o coordenador do Núcleo de Gestão da Inovação (NUGIN), Guilherme Chiodi.
A necessidade de avançar nessa pauta ganhou força com a percepção de que a exclusão digital afetava não apenas a sociedade, mas também o público interno do Tribunal.
“Aumentou o número de pessoas com deficiência visual dentro do Tribunal, e percebemos, no dia a dia, que a nossa comunicação, em vez de ser inclusiva, acabava excluindo essas pessoas”, afirmou a gerente do Centro de Desenvolvimento e Acompanhamento de Projetos (CEPROJ), Priscila Pereira de Souza.
“Temos servidores, magistrados e colaboradores com algum tipo de deficiência visual que, muitas vezes, não conseguem ter acesso às informações que queremos transmitir. Isso é muito grave, porque faz com que essas pessoas deixem de ter acesso aos seus direitos”, pontuou a gestora.
Diretrizes práticas para uma comunicação inclusiva
A oficina foi dedicada à aplicação de boas práticas de acessibilidade em documentos digitais, com atividades voltadas à identificação e à correção de barreiras que dificultam o acesso à informação. Durante o encontro, os participantes aprenderam técnicas para elaborar arquivos compatíveis com tecnologias assistivas, tornando a comunicação institucional mais inclusiva e acessível.

“A oficina de hoje é voltada à produção de documentos digitais. Vamos apresentar diretrizes e boas práticas de acessibilidade para que servidores e colaboradores possam aplicá-las no dia a dia, nos documentos que produzem”, esclareceu a laboratorista e oficineira Clara Rabello de Resende.
A parceria com o TRT3 trouxe uma contribuição importante para o desenvolvimento do programa. O órgão conta com um especialista em acessibilidade, o que permitiu somar conhecimentos e ampliar o alcance da iniciativa.
“Foi a primeira vez que trabalhamos com pessoas com deficiência visual. É um grande marco dar esse passo além da inovação e transformar a comunicação inovadora em uma ferramenta também voltada para a acessibilidade”, destacou o laboratorista do coLABore, Hudson Oliveira Freitas.

O gestor da Seção de Acessibilidade do TRT3, Francisco da Silva Soares, pessoa com deficiência visual e participante da oficina, reforçou a importância de ações como essa para a construção de um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo: “A acessibilidade, embora não seja voltada apenas às pessoas com deficiência, para nós representa a diferença entre conseguir ou não acessar uma informação.”













