Publicado em 02/09/2026
A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF) iniciou, neste 2 de setembro, a Oficina Librário da Justiça: Falar com as Mãos, Ouvir com os Olhos, voltada para servidoras e servidores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que atuam nas áreas de atendimento ao público, comunicação e acessibilidade.
A ação educacional, realizada na sede da EJEF, em Belo Horizonte, tem como propósito desenvolver um baralho institucional com sinais da Língua Brasileira de Sinais (Libras) aplicados ao vocabulário jurídico e formar multiplicadores internos.
Idealizadora do projeto Librário, a doutoranda em Design pela Escola de Design da UEMG, Flávia Neves de Oliveira Castro, conduz a capacitação. Ao longo dos cinco encontros presenciais, que se estendem até 9 de setembro, os participantes aprendem os fundamentos da Libras e da cultura surda e constroem, de forma colaborativa, um jogo de cartas com termos utilizados no cotidiano do Tribunal.
Cultura surda e direitos linguísticos
Reconhecida pela Lei nº 10.436 de 2002, a Libras possui estrutura gramatical e semântica próprias, independente da língua portuguesa. A oficina aborda essa distinção, além de questões como identidade surda, direitos linguísticos e os desafios de acessibilidade no sistema de Justiça.

O Librário nasceu há dez anos, a partir de um projeto de pesquisa e extensão universitária, e já foi adaptado para diferentes contextos, como museus, indústrias e instituições culturais. “A ideia é possibilitar que as pessoas aprendam e percebam o quanto a Libras é interessante”, afirma Flávia.
Ela explica que a iniciativa é voltada, prioritariamente, para pessoas ouvintes.
“Os surdos sinalizantes já conhecem a Libras e ficam reféns da presença do intérprete. Se todos soubermos um pouco, como aprendemos inglês ou espanhol, podemos nos comunicar basicamente com a pessoa surda”, complementa.
Construção colaborativa do material
Nos primeiros encontros, a programação inclui dinâmicas de sensibilização e jogos do Librário para a construção de vocabulário básico. A partir do quarto encontro, os participantes realizam um grupo focal para levantar termos institucionais — como juiz, audiência, processo e sentença — e desenvolvem os cards do baralho, com registro visual dos sinais.
A formação integra uma das frentes de atuação da EJEF para promover a acessibilidade comunicacional, em conformidade com a Resolução CNJ nº 401/2021, que estabelece a necessidade de capacitação de servidores em Libras.

Ao final da oficina, os participantes deverão atuar como multiplicadores do vocabulário visual da Justiça em ações futuras. “A ideia é formar multiplicadores de Libras, para que as pessoas possam levar esse conhecimento a outras”, conclui Flávia.
O material produzido será disponibilizado em formato de baralho físico, aplicativo e apostila no site do TJMG, ampliando o alcance da iniciativa para além da turma inicial.













