Publicado em 27/04/2026
Foi realizado, nos dias 23 e 24 de abril, em Belo Horizonte, o 63º COPEDEM, promovido pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF), com o tema “Escolas Judiciais em Transformação: Inovação, Governança e Gestão Documental”. O encontro teve como objetivo promover o intercâmbio de experiências, o alinhamento institucional e a construção de diretrizes voltadas ao aperfeiçoamento da formação de magistrados e servidores.
O Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (COPEDEM), criado em 2005, atua como um fórum nacional de articulação entre escolas judiciais, com foco na capacitação da magistratura, na integração institucional e na troca de experiências voltadas ao aprimoramento da prestação jurisdicional.
Na abertura da ação, o presidente do COPEDEM, desembargador Marco Villas Boas, destacou o papel das escolas judiciais na estrutura do Poder Judiciário.
“O COPEDEM tem se proposto a ser um fórum permanente de discussão dos grandes desafios enfrentados pela magistratura brasileira, além da busca por soluções para os gargalos que impedem o pleno exercício da jurisdição”, afirmou.

Ele associou a evolução institucional ao investimento em formação.
“As escolas têm sido um referencial nesse trabalho e na nova dinâmica que o planejamento estratégico trouxe para o Judiciário brasileiro”, disse, ao mencionar a ampliação da gestão e da qualificação técnica de magistrados e servidores.
O desembargador Villas Boas também abordou a inserção da inteligência artificial nas atividades judiciais.
“Desde 2017, o COPEDEM tem se empenhado em discutir a inteligência artificial em seus eventos”, declarou, ao lembrar que o tema passou a integrar a agenda institucional antes da popularização das ferramentas generativas.
Homenagens marcam valorização da formação e da magistratura
Durante a programação, foram entregues, pelas mãos do desembargador Villas Boas, a Medalha de Mérito Acadêmico Desembargador Antonio Rulli Júnior e a Medalha dos Fundadores, que reconhecem contribuições à formação jurídica e ao fortalecimento das escolas judiciais.
Receberam a Medalha de Mérito Acadêmico os desembargadores Saulo Versiani Penna, Nelson Missias de Morais, Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior, Estevão Lucchesi de Carvalho e Caetano Levi Lopes, além do juiz Thiago Grazziane Gandra.

A Medalha dos Fundadores foi concedida aos desembargadores Marcos Lincoln dos Santos, Rogério Medeiros Garcia de Lima, Kárin Liliane de Lima Emmerich, Maurício Pinto Ferreira (representado pela desembargadora Âmalin Aziz Sant’Anna), Henrique Abi-Ackel Torres e à juíza Rosimere das Graças do Couto.
Na sequência, o superintendente da EJEF, desembargador Saulo Versiani Penna, deu continuidade à abertura da formação.
“A nossa escola é a mais antiga escola estadual de magistratura”, afirmou, ao situar a trajetória da instituição também na formação de servidores e reforçar o papel estratégico da educação judicial. “O conhecimento e a educação de qualidade, especialmente no âmbito da magistratura, são fundamentais para a prestação de um serviço público de melhor qualidade”, pontuou.

O magistrado também ressaltou a importância da integração entre as escolas.
“Há necessidade de congraçamento e união para a identificação de pontos comuns que contribuam para o melhor exercício da atividade jurisdicional”, enfatizou.
Durante a solenidade, o desembargador Saulo homenageou o desembargador Marco Villas Boas com a entrega do pin da EJEF e de um exemplar do livro “200 anos do Direito Constitucional brasileiro”.

A obra reúne 36 artigos e soma mais de 900 páginas, abordando marcos históricos, transformações institucionais e desafios contemporâneos do constitucionalismo no país, sob diferentes perspectivas acadêmicas e jurídicas.
Em seguida, o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior, associou os desafios contemporâneos à capacitação institucional.
“Vivemos uma época de muitos desafios para o Poder Judiciário. A inteligência artificial e o uso da tecnologia, em suas diversas formas, devem ser canalizados para a prestação jurisdicional”, declarou.

Ele também destacou a atuação da EJEF.
“A nossa escola judicial se dedica, de forma pioneira, não apenas à formação da magistratura, mas também à capacitação de servidores”, observou.
Início das atividades educativas
A programação seguiu com a palestra do professor Bruno Torquato Zampier Lacerda, delegado da Polícia Federal, doutor e mestre em Direito Privado pela PUC Minas e pesquisador nas áreas de responsabilidade civil e inteligência artificial aplicada ao Direito.
Ao introduzir o tema, ele assinalou: “Vivemos um boom da inteligência artificial. Trata-se de uma das principais pautas do Poder Judiciário no Brasil”.
Ele chamou a atenção para o ritmo das transformações tecnológicas.
“Estudar inteligência artificial é um drama, pois a cada semana surgem novidades”, observou, ao ressaltar a necessidade de atualização contínua.

As atividades se estenderam ao longo do dia, com apresentações sobre gestão documental, formação de magistrados, governança e iniciativas inovadoras da EJEF, além de debates entre os participantes.
Na sexta-feira, a programação teve continuidade com palestras sobre pós-graduação associativa em rede e desafios da pesquisa acadêmica no Poder Judiciário, seguidas de discussões institucionais, leitura da Carta do Encontro e encerramento oficial.
Encerramento apresenta carta com diretrizes para escolas judiciais
Ao final da formação, foi apresentada a Carta de Belo Horizonte, com diretrizes construídas a partir dos debates. O documento enfatiza o protagonismo das escolas judiciais na formação para o uso ético da inteligência artificial, o fortalecimento de metodologias ativas de ensino e a integração entre planejamento pedagógico e gestão institucional.
O documento também aborda a preservação da memória institucional, a formação integral de magistrados e servidores e o estímulo à pesquisa em rede, com foco na solução de problemas do Poder Judiciário.

Assinam a carta representantes de escolas judiciais de diversos estados, entre eles os desembargadores Marco Villas Boas, Saulo Versiani Penna e Caetano Levi Lopes, além de dirigentes de instituições de formação da magistratura de todo o país.
Na sequência, o desembargador Caetano Levi Lopes refletiu sobre a evolução das escolas judiciais. “A cada encontro, o COPEDEM se supera, trazendo novos conhecimentos e ampliando fronteiras”, afirmou.

Ele recordou as resistências iniciais à formação continuada.
“Alguns colegas diziam que o juiz tem que sentenciar, não estudar”, disse, ao relacionar o avanço institucional à ampliação do conhecimento.
O desembargador Villas Boas relembrou os desafios enfrentados na consolidação das escolas judiciais.
“Sonhávamos com a pesquisa acadêmica no âmbito do Poder Judiciário e enfrentávamos resistência da academia”, comentou, apontando mudanças estruturais ao longo do tempo e lembrando que, juntos, conseguiram romper obstáculos e implantar cursos stricto sensu.

Ao final, o desembargador Saulo Versiani Penna agradeceu às equipes envolvidas e reconheceu o trabalho técnico da EJEF, bem como a colaboração da Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS).
Mesa de honra
Compuseram a mesa de honra o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior; o 2º vice-presidente e superintendente da EJEF, desembargador Saulo Versiani Penna; o presidente do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (COPEDEM), desembargador Marco Villas Boas; o 1º vice-presidente do Tribunal, desembargador Marcos Lincoln dos Santos; o 3º vice-presidente, desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima; o corregedor-geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho; a vice-corregedora-geral de Justiça, desembargadora Kárin Liliane de Lima Emmerich e Mendonça; o ex-presidente do TJMG e diretor da Escola Nacional da Magistratura (ENM), desembargador Nelson Missias de Morais; o superintendente administrativo adjunto do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva; a integrante do Comitê Técnico da EJEF, desembargadora Âmalin Aziz Sant’Anna, representando o superintendente-adjunto da EJEF, desembargador Maurício Pinto Ferreira; o membro do Conselho Consultivo do COPEDEM e secretário-geral da Escola Nacional da Magistratura (ENM), desembargador Caetano Levi Lopes; o diretor-geral da Escola Superior da Magistratura Jane Silva (EMAJS), desembargador Henrique Abi-Ackel Torres; e a juíza de Direito e presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS), Dra. Rosimere das Graças do Couto.





