Publicado em 27/03/2026
A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF) promoveu, nos dias 26 e 27 de março, em Belo Horizonte, o III Encontro Nacional das Bibliotecas do Poder Judiciário (ENABIJUD), na modalidade presencial.
A ação educacional, que também contou com transmissão ao vivo pelo canal da EJEF no YouTube, reuniu magistrados, servidores, bibliotecários e profissionais da informação de todo o país, com o objetivo de discutir o papel estratégico das bibliotecas judiciárias na gestão da informação, na inovação tecnológica e na preservação da memória institucional, sob o tema “Da inteligência humana à artificial: a transformação das bibliotecas judiciárias na defesa da informação confiável”.
A abertura solene da formação ocorreu na manhã do dia 26, no Auditório do Anexo II da Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). Representando o 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da EJEF, desembargador Saulo Versiani Penna, o superintendente-adjunto da Escola Judicial, desembargador Maurício Pinto Ferreira, deu as boas-vindas aos participantes, ressaltando a importância do encontro como espaço de transformação para o Judiciário.

“Eventos como este representam, para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e para a Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes, mais do que um espaço de diálogo — são um verdadeiro ambiente de transformação, onde experiências se encontram, ideias se fortalecem e caminhos se abrem para o futuro do Judiciário brasileiro”, afirmou o magistrado.
Papel estratégico das bibliotecas
Em sua fala, o desembargador Maurício Pinto Ferreira enfatizou o papel central das bibliotecas jurídicas no contexto contemporâneo, caracterizado pela sobrecarga informacional e pelo risco de desinformação.
Ele destacou que a programação do encontro reflete a complexidade dos desafios atuais, abrangendo desde a gestão estratégica e a inovação até a aplicação da inteligência artificial e da jurimetria na gestão documental.
“As bibliotecas jurídicas assumem, nesse contexto, um papel central: não apenas como repositórios de conhecimento, mas como protagonistas na curadoria, na organização e na garantia da confiabilidade das informações jurídicas — especialmente em tempos de sobrecarga informacional e de risco de desinformação”, explicou.
O corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho, ressaltou a trajetória do ENABIJUD, cuja primeira edição ocorreu em 2023, pelo Tribunal Regional da 1ª Região, e a segunda, em 2024, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Ele lembrou que o Módulo I da terceira edição foi realizado em 2025, na modalidade virtual, pelo TJMG.
“Ao sediar este módulo presencial, o TJMG sente-se honrado em receber profissionais de todo o Brasil em um encontro dedicado à troca de experiências, à reflexão e ao fortalecimento das bibliotecas do Poder Judiciário, reafirmando seu papel estratégico na gestão e difusão do conhecimento”, afirmou o corregedor.
Representando o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT3), o juiz do Trabalho, Dr. Bruno Alves Rodrigues, destacou a parceria entre as instituições para a realização do evento e o papel das bibliotecas como estruturas estratégicas de apoio à atividade jurisdicional.
“As bibliotecas não são apenas espaços de guarda de acervos: são centros de produção, organização e difusão do conhecimento, que contribuem diretamente para a qualidade da prestação jurisdicional e para a preservação da memória do Poder Judiciário”, declarou.

O juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) e coordenador das redes BIBLIOMEMOJUS e MEMOJUS Brasil, Dr. Carlos Alexandre Böttcher, apresentou um retrospecto da criação da rede de bibliotecas, surgida em 2022, diante do cenário de fechamento de unidades e extinção de cargos em diversos tribunais.
Ele informou que há uma proposta em tramitação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a criação de uma política nacional de bibliotecas do Poder Judiciário.
“Algo de grande importância e que esperamos debater durante o encontro, com eventuais aprimoramentos para um reencaminhamento mais robusto”, explicou Böttcher, acrescentando que o diagnóstico das bibliotecas, realizado pela rede, obteve 100% de adesão, permitindo conhecer a realidade diversificada dessas unidades.

“Sei que é difícil — ouvimos muitos relatos sobre as dificuldades do trabalho solitário —, mas saibam que aqui ninguém está sozinho. Todos estão interligados em rede, com colegas de norte a sul do país. É justamente para essa troca que este espaço existe, e é trabalhando coletivamente, em rede, que conseguiremos avançar”, finalizou.
O superintendente da Memória do Judiciário Mineiro (MEJUD) do TJMG, desembargador Osvaldo Oliveira Araújo Firmo, iniciou sua participação recitando o poema “O Livro e a América”, de Castro Alves, que celebra a força transformadora do livro e do conhecimento.

Em sua fala, ele comparou a realidade atual à “Biblioteca de Babel”, conceito do escritor Jorge Luis Borges, e refletiu sobre a relação de magistrados e servidores com o acervo disponível.
“A informação está aí, como consta nos livros de nossas bibliotecas. O Tribunal de Justiça possui uma biblioteca com mais de 50 mil volumes, além de bibliotecas virtuais. Faltam, porém, olhos para ler esses livros — esse é o nosso grande drama”, ponderou o desembargador.
Ele ainda destacou que a nova realidade discutida no encontro envolve a virtualidade e o uso da inteligência artificial, como forma de apoiar o acesso e a gestão do conhecimento diante dos desafios da leitura e da informação.
Conferência magna e continuidade da programação

Após a abertura, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Marco Américo Lucchesi, proferiu a conferência magna intitulada “A biblioteca como guardiã da memória e da informação confiável em tempos de inteligência artificial”.
A palestra deu início à programação de dois dias, composta por painéis temáticos que abordaram gestão estratégica, preservação digital, combate à desinformação, atuação em rede, segurança da informação, novas competências profissionais e jurimetria.
A ação educacional prossegue até 27 de março, com os painéis restantes e a elaboração da “Carta de Belo Horizonte”, documento final que reúne as deliberações e encaminhamentos do encontro.

A cerimônia de encerramento ocorre no final da tarde, consolidando o III ENABIJUD como espaço de capacitação, cooperação institucional e fortalecimento das bibliotecas do Poder Judiciário brasileiro.
Mesa de honra
Compuseram a mesa de honra de abertura o superintendente-adjunto da EJEF e diretor de Esportes e coordenador-geral das Colônias de Férias, CAMT e Parques Esportivos da Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS), Desembargador Maurício Pinto Ferreira, representando o 2º Vice-Presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e superintendente da EJEF, Desembargador Saulo Versiani Penna, também representando a juíza de Direito, presidente da AMAGIS, Dra. Rosimere das Graças do Couto; o superintendente da Memória do Judiciário Mineiro (MEJUD) do TJMG, Desembargador Osvaldo Oliveira Araújo Firmo, representando o Presidente, desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior; o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, Desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho; o juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) e coordenador das Redes BIBLIOMEMOJUS e MEMOJUS Brasil, Dr. Carlos Alexandre Böttcher; o juiz do Trabalho, Dr. Bruno Alves Rodrigues, representando o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT3); e o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Marco Américo Lucchesi, docente da conferência magna de abertura.





