Publicado em 19/03/2025.
No dia 18 de março, na comarca de Bambuí, magistrados, servidores e colaboradores reuniram-se no Salão do Júri do Fórum para uma oficina presencial sobre saúde mental e seus impactos no trabalho. A ação educacional, promovida pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), teve como objetivo capacitar os participantes a adotar atitudes que contribuam para a construção de um ambiente emocionalmente saudável, melhorando a qualidade de vida no trabalho. O conteúdo programático abrangeu aspectos conceituais da saúde mental, transtornos mentais prevalentes no Judiciário mineiro, diagnóstico, tratamento e medidas de prevenção.
Estiveram presentes na abertura da ação o Dr. Pedro dos Santos Barcelos, juiz de direito diretor do Foro de Bambuí; Dr. Fábio Gabriel Magrini Alves, juiz de direito e coordenador do Núcleo Regional da Ejef da comarca de Formiga; Dr. Fabrício Silva Gomes, médico do TJMG; além de Marília Miranda de Almeida e Victor Thiago de Aguiar, servidores do TJMG que atuam na Coordenação de Desenvolvimento de Competências Humanossociais (Codhus).
Dr. Pedro dos Santos Barcelos, ao abrir a oficina, mencionou a necessidade de cuidar da saúde física e mental, relembrando sua própria experiência com cursos sobre o tema e enfatizando o valor de ações como essa para o bem-estar dos profissionais.

Já o Dr. Fábio Gabriel Magrini Alves declarou sentir-se honrado por ser esse o tema do primeiro evento sob sua coordenação. “Esse evento tem a preocupação da saúde mental, e a gente sabe que essa preocupação no CNJ vem aumentando”, disse, apontando a necessidade de um esforço concentrado para interiorizar ações educacionais e de saúde. Acrescentou outra razão para estar presente na ação educacional: “Eu estou aqui também na qualidade de aprendiz.”
Marília Miranda de Almeida, coordenadora da Codhus, chamou atenção para o fato de o tema ter sido identificado como relevante após análise dos exames periódicos de saúde dos servidores. “Trazer o tema da saúde mental, dos seus impactos no trabalho, poderia ser interessante para vocês”, observou, mencionando a parceria com o Núcleo Regional de Formiga.
O Dr. Fabrício Silva Gomes, docente da ação, iniciou sua fala agradecendo a recepção e explicando que sua exposição não seria uma aula, mas um espaço de compartilhamento. “O tema da saúde mental e seus impactos no trabalho é uma preocupação mundial”, afirmou, contextualizando o conceito de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), que vai além da ausência de doenças. “Ter saúde para a OMS seria um estado de completo bem-estar físico, mental, social e espiritual”, explicou, enfatizando a necessidade de equilibrar essas dimensões no ambiente de trabalho.
Convite à mudança
Após a palestra, os participantes foram convidados a se dividir em grupos para discutir sugestões que favorecessem o bem-estar individual e coletivo na unidade. A dinâmica teve como foco a integração entre os setores do Foro de Bambuí.

Victor Thiago de Aguiar mencionou a necessidade de união de forças para que haja um ambiente de trabalho mais saudável. “Acho que cooperação é chave quando a gente pensa em trabalho coletivo”, afirmou, observando que a competição, comum na sociedade, não deve ser o foco no ambiente profissional. Marília Miranda de Almeida complementou essa fala, lembrando que a cooperação é um chamamento para si mesmo. “Como que eu posso demonstrar isso para o outro? Às vezes são pequenas gentilezas no dia a dia”, disse, enfatizando a importância de simples gestos para criar um ambiente mais agradável.
A integração entre os setores foi um ponto comum entre os grupos, que sugeriram mais encontros e atividades de promoção de convivência e conhecimento mútuo. Victor reforçou que esses momentos não precisam ser profundos, mas devem fomentar uma boa convivência. “A gente não quer ter uma visão muito romântica do que significa estar junto, mas querer estar junto, respeitando e fomentando uma boa convivência”, concluiu.
Em sua fala de encerramento, o juiz Fábio Gabriel Magrini Alves destacou que a empatia foi um ponto de reflexão que resultou da dinâmica e que é importante dar o primeiro passo. “É um duelo mexicano. Eu aponto a arma, ela aponta para mim, e quem atira primeiro?”, questionou. O magistrado observou que gestos simples podem impactar o ambiente de trabalho no cotidiano. “Eu acredito na mudança do coletivo a partir do individual. Eu sei da minha intenção, eu sei que estou de boa-fé. Quem estiver presente vai ver no meu olhar que estou de boa-fé”, finalizou.

Ao final da ação educacional, espera-se que os participantes tenham adquirido ferramentas para promover um ambiente de trabalho mais saudável e integrado, contribuindo para o bem-estar individual e coletivo. A oficina em Bambuí foi a primeira etapa de um processo que visa fortalecer as relações e a saúde mental no Judiciário mineiro.