Publicado em 22/10/2026
A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF) realizou, na quarta-feira (21), no Plenário do Edifício Sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte, o Seminário Justiça 60+ com transmissão ao vivo pelo canal da EJEF no YouTube. A formação, voltada a magistrados, servidores, colaboradores terceirizados e público externo, teve como objetivo capacitar os participantes para identificar desafios e oportunidades relacionados ao envelhecimento e à longevidade, abordando direitos da pessoa idosa, enfrentamento ao etarismo e promoção da saúde e do bem-estar.
A abertura institucional foi conduzida pelo juiz auxiliar da Presidência Luís Fernando de Oliveira Benfatti, que representou a desembargadora Maria Cristina Cunha Carvalhais, superintendente de Equidade de Gênero, Raça, Diversidade, Condição Física ou Similar e Idosos.
Ele destacou o papel do Comitê Gestor de Atenção às Pessoas Idosas do TJMG na qualificação do atendimento e lembrou: “O envelhecimento é um caminho natural que todos nós trilharemos, e a instituição atua com cuidado e dispõe de profissionais voltados exclusivamente ao tema”.
Representando o 2º vice-presidente e superintendente da EJEF, desembargador Manoel dos Reis Morais, o desembargador Renato Dresch reforçou o compromisso da Escola Judicial com a formação contínua.
“Uma sociedade civilizada deve estar estruturalmente preparada para respeitar crianças e, de forma categórica, as pessoas idosas”, afirmou.

Ele também relatou uma situação ocorrida no início da ação educacional, quando uma fila de participantes aguardava o cadastramento no Tribunal. Após o acionamento da equipe, foi autorizada a liberação direta do acesso, sem necessidade de espera.
“É precisamente nos pequenos atos e nos detalhes cotidianos que precisamos estar vigilantes”, completou.
Um olhar pedagógico sobre o envelhecer
O seminário foi organizado em quatro palestras complementares, que abordaram diferentes aspectos do envelhecimento. A médica geriatra Simone Lima abriu a programação com o tema “Saúde e Longevidade”, propondo uma reflexão sobre a importância da prevenção ao longo da vida.
“Envelhecer é, na essência, o privilégio de continuarmos construindo a nossa própria história”, afirmou.
Em seguida, a defensora pública Fernanda Fernandes abordou o combate ao idadismo e a necessidade de desconstruir preconceitos associados à idade.
“Devemos assumir a nossa idade com orgulho, celebrando essa estação da vida”, declarou. A defensora pública também ressaltou que o etarismo se manifesta em atitudes cotidianas e no próprio vocabulário.

A nutricionista Heloísa Silva abordou as mudanças metabólicas após os 60 anos e apresentou orientações sobre hidratação, alimentação equilibrada e suplementação.
“O segredo de uma alimentação saudável reside em preferir a comida de verdade, descascando mais e desembalando menos”, pontuou.
Voluntariado e cidadania ativa
A desembargadora Maria Luíza de Marilac, superintendente do Núcleo de Voluntariado do TJMG, encerrou a programação com uma reflexão sobre o papel do trabalho voluntário na vida da pessoa idosa. Aposentada no ano passado, aos 75 anos, ela iniciou sua fala com uma pergunta provocativa: “Quando foi a última vez que alguém lhe agradeceu por algo que você fez sem ter a mínima obrigação de fazer?”
A desembargadora destacou que a aposentadoria pode marcar o começo de uma nova etapa de participação na vida em comunidade.
“A maturidade não é um mero ponto de chegada, mas o marco inicial de uma etapa fértil”, afirmou.
Segundo a desembargadora Marilac, o voluntariado é uma expressão de cidadania e pertencimento e contribui para combater a solidão e o isolamento social, que classificou como questões críticas de saúde pública mundial.
Ela também relacionou o combate ao etarismo à participação social.
“Para vencer o etarismo, devemos trocar a pergunta ‘O que podemos fazer por esta pessoa idosa?’ por ‘O que podemos construir juntos?’”, propôs.

Ao final, exibiu um vídeo sobre duas costureiras aposentadas que organizaram um grupo de voluntárias para confeccionar roupas infantis destinadas a instituições de caridade. O exemplo ilustrou o potencial transformador do trabalho voluntário na maturidade.
“Nós nos sentimos extremamente gratificadas por sermos úteis, o que é fundamental para manter a nossa saúde física e mental”, contaram Maria Laura e Maria Elizabete na gravação.
Durante a formação, também foi apresentada a cartilha virtual “Justiça e Cidadania para a Pessoa Idosa: Conheça seus direitos e saiba como se proteger”, elaborada por integrantes do Comitê Gestor de Atenção às Pessoas Idosas.
Fernanda Naiara da Silva Alves, responsável pela apresentação, explicou que o material reúne orientações sobre atendimento prioritário, saúde, transporte, moradia, benefícios sociais, prevenção da violência e segurança digital.
“Não basta que os direitos estejam assegurados na legislação; é imperativo que a população saiba que eles existem”, afirmou.
O seminário no contexto do Programa Justiça 60+
A ação educacional integra as iniciativas de capacitação previstas no Programa Justiça 60+, instituído pela Portaria Conjunta nº 1.809/PR/2026. Entre os objetivos do programa, está a capacitação de magistrados e servidores para oferecer atendimento humanizado e acessível. Na matéria institucional sobre o lançamento, a capacitação promovida pela EJEF já era mencionada entre as frentes de trabalho em andamento, o que confirma o seminário como desdobramento formal dessa diretriz.
O conteúdo pedagógico da formação dialoga com os demais eixos do programa. Os temas referentes à saúde, idadismo e nutrição contribuem para a qualificação do atendimento e o combate a estereótipos relacionados à idade. Já a discussão sobre voluntariado está associada ao fortalecimento da rede de proteção e à promoção da cidadania ativa da pessoa idosa.

A distribuição da cartilha está alinhada ao pilar de combate a golpes e conscientização jurídica. A abertura e o encerramento da ação educacional contaram com a presença de integrantes do Comitê Gestor de Atenção às Pessoas Idosas, responsável pela coordenação e pelo monitoramento das metas do Plano de Ação do programa.
Dessa forma, o seminário não constitui uma atividade isolada, mas integra as iniciativas de disseminação dos valores e das diretrizes do Justiça 60+, aproximando a capacitação interna do propósito de promover uma cultura institucional de respeito, inclusão e valorização da pessoa idosa.
Mesa de honra e presenças
Compuseram a mesa de honra de abertura o superintendente de Tecnologia e Informação, desembargador Renato Dresch, representando o 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da EJEF, desembargador Manoel dos Reis Morais; a superintendente do Núcleo de Voluntariado do Tribunal (NV/TJMG) e coordenadora do Comitê Local da Política de Atenção a Pessoas em Situação de Rua do Poder Judiciário (PopRuaJud), desembargadora Maria Luiza de Marilac; a superintendente do Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário Portador de Sofrimento Mental (PAI-PJ), desembargadora Márcia Milanez; o juiz-auxiliar da Presidência do TJMG, Luís Fernando de Oliveira Benfatti; a coordenadora da Defensoria Especializada da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência de Belo Horizonte, defensora pública de Minas Gerais, Fernanda Fernandes; a nutricionista Eloísa Silva, palestrante na ação; e a médica geriatra Simone Lima.
Também estiveram presentes integrantes do Comitê Gestor de Atenção às Pessoas Idosas, a juíza coordenadora dos Juizados Especiais, Raquel Discacciati Bello; a gerente do Centro de Desenvolvimento e Acompanhamento de Projetos (CEPROJ), Priscila Pereira de Souza; a coordenadora do Núcleo de Gestão de Projetos, Cátia Alves Sampaio; o diretor executivo da Atividade Correicional (DIRCOR), Ricardo de Freitas Reis; a coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento de Competências Humanossociais (NUDEC), Marília Miranda de Almeida; a gerente do Centro de Gestão e Planejamento da Primeira Vice-Presidência (CEGEP), Margarete Gandra Almeida Santos; e a representante da Coordenação de Relações Públicas, Fernanda Naiara da Silva Alves.














