Publicado em 16/10/2026
A Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF) recebeu, na quinta-feira (15), a equipe técnica do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT) na Biblioteca Desembargador Amílcar de Castro, em Belo Horizonte, para conhecer as práticas de conservação do acervo.
Durante a atividade, foram apresentadas a estrutura e os serviços da Coordenação de Documentação e Biblioteca (COBIB), além das práticas de conservação adotadas no local. A visita atendeu à demanda do TRT, que busca implementar rotinas de preservação em seu próprio acervo.
A iniciativa faz parte das ações de formação continuada da EJEF e promove a aproximação entre instituições do Judiciário para o compartilhamento de soluções em gestão documental. A Biblioteca do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) é referência em pesquisa jurídica e na guarda de obras raras, o que despertou o interesse da equipe visitante.
Conservação como prática contínua
Durante a programação, as servidoras do TRT acompanharam demonstrações de higienização, pequenos reparos e acondicionamento de livros. A assistente executiva Marlene D’Arc Lemos do Nascimento, responsável pela conservação da Coleção Especial, apresentou os procedimentos adotados pela equipe para lidar com danos recorrentes nos materiais.
“Fazemos um soufflé para colar a lombada, um pequeno reparo na folha para deixá-la inteira e explicamos como é feita essa colagem, que não é com uma cola comum, mas com uma cola especial”, afirmou.

O trabalho, segundo ela, começou de forma gradual e se consolidou ao longo de mais de uma década.
“No início, começamos com o acondicionamento. Fizemos caixas para todos os livros da coleção. Foi feito caixa por caixa; cada livro tem a sua caixa individual”, contou.
A bibliotecária Rosilene Neves Anésio, que atua há 19 anos no Tribunal, detalhou como esse conhecimento técnico foi desenvolvido.
“A demanda de trabalho com esse tipo de acervo surgiu em várias bibliotecas ao mesmo tempo. Cada uma foi buscando soluções de acordo com o que era possível”, relatou. Segundo ela, o aprendizado foi consolidado com o apoio de especialistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Biblioteca Nacional.
Rosilene destacou ainda a contribuição da servidora Arlete Isabel Silva, já falecida, responsável pela estruturação do programa de cuidados especiais.
“Foi ela quem plantou essa semente, começou a fazer cursos e a incluir a Marlene nesses cursos”, recordou.
A Coleção Especial reúne cerca de 5.000 exemplares de obras raras, antigas e seculares, entre elas um volume em latim de 1587. O acervo inclui coleções particulares de juristas e bibliófilos e é mantido em sala de acesso restrito, com controle rigoroso de temperatura e umidade. A limpeza é realizada anualmente, de forma individualizada, com o apoio de estagiárias do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais da UFMG.
Troca de experiências entre instituições
A comitiva do TRT foi recebida pela equipe da EJEF e conheceu os serviços oferecidos pela COBIB, entre eles a consulta ao acervo e o empréstimo domiciliar. Foram apresentados ainda o sistema Meu Pergamum e o catálogo da Biblioteca Digital do TJMG.
Para a bibliotecária do TRT Márcia Lúcia Neves Pimenta, a visita atende a uma necessidade concreta da instituição.
“Até o momento, não tínhamos nenhum espaço, nenhum laboratório que realizasse esse tipo de trabalho voltado à preservação do acervo, que é necessária. Viemos exatamente conhecer o trabalho que vocês fazem aqui para levar essa experiência à nossa biblioteca”, afirmou.

A gestora do Centro de Memória da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, Maria Aparecida Carvalhaes Cunha, destacou as semelhanças entre as duas áreas.
“Gerenciamos a informação, preservamos essa informação e tentamos disponibilizá-la à sociedade e aos usuários dentro do Tribunal. A minha expectativa é pensar nessa gestão que a biblioteca do TJ faz dessa informação, em como a disponibiliza e em como vocês trabalham com o usuário, com o consulente”, disse.
A visita reforça o papel da EJEF na formação profissional e na integração entre instituições do Judiciário. Ao compartilhar técnicas de higienização, reparo e acondicionamento, a Escola oferece subsídios para que outras instituições aprimorem suas próprias práticas de preservação documental.














